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A Rio+20 possível

Friday/22, June 2012


Na reta final, o resultado da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) é uma clara demonstração do nível de comprometimento dos 193 países que estão no Rio de Janeiro para negociar um acordo que leve em consideração o futuro que queremos para o planeta.

O documento oficial, Rascunho Zero, será apresentado nesta sexta-feira, na cerimônia de encerramento, e trará boas intenções dos países em relação ao desenvolvimento sustentável. Mas ele é forte o suficiente para uma cúpula que tenta repetir o sucesso da Rio92?

A maior parte da sociedade mundial acha que não, embora os diplomatas, especialmente os brasileiros que se esforçaram para construir o acordo, defendam que foi o consenso possível. Crise financeira na Europa e eleições presidenciais nos Estados Unidos foram desculpas para que ninguém colocasse cartas ambiciosas na mesa.

O fato é que a transição do modelo de desenvolvimento que temos para a chamada economia verde (conceito vago e ainda em construção) precisa de dinheiro, especialmente para que países pobres e em desenvolvimento possam crescer com respeito ao meio ambiente. Mas não é o que se vê na Rio+20.

Teremos um documento cheio de intenções, mas com ações vinculantes a serem implementadas somente a partir de 2015. O que salva o Rascunho Zero é a manutenção do consenso de que é preciso erradicar a pobreza e a desigualdade racial.

Por outro lado, a sociedade civil ocupou maior espaço e teve voz ativa na Rio+20, bem diferente do que ocorreu na cúpula de 1992. Uma série de iniciativas foi realizada em diversos locais no Rio de Janeiro e mobilizou a população para que todos se engajassem na discussão sobre desenvolvimento sustentável.

Os eventos mais emblemáticos foram o projeto Humanidade2012, que ocorreu no Forte de Copacabana, e a Cúpula dos Povos, que ocupou o Aterro do Flamengo.

Iniciativa da FIESP, FIRJAN e da Fundação Roberto Marinho (FRM), o Humanidade foi o evento paralelo que mais recebeu público, com cerca de 200 mil pessoas em dez dias de evento. O espaço, criado pela diretora e cenógrafa Bia Lessa, ofereceu ao público uma exposição sobre a humanidade e destacou o importante papel do Brasil no desenvolvimento sustentável.

O futuro que queremos ainda precisa de definições. Mas elas precisam ser mais rápidas.

Por Lucas Alves, jornalista colaborador da Recheio


Esse artigo foi escrito por Recheio Agência de Conteúdo. Veja Quem Faz. .







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