BLOG DA RECHEIO


Abril Pro Rock: dez anos fazem toda diferença… ou quase

Monday/9, April 2012


Aos amigos, ao Cripple Bastards e ao caranguejo.

Quando comecei a me encaixar no perfil “adolescente revoltado”, lá pelos meus 14/15 anos de idade, ir a uma noite do Festival Abril Pro Rock, em Recife, era um dos objetivos daquela turma de skatistas espinhentos moradores de João Pessoa. Não importavam as bandas, desde que fosse no sábado, o famoso dia do peso, e que tomássemos a maior quantidade de vinho Carreteiro possível a ponto, muitas vezes, de nem lembrar o que tinha visto e ouvido.

Há exatos dez anos fiz a viagem pela primeira vez. Ônibus lotado de amigos, outros adolescentes revoltados/skatistas espinhentos, indo assistir os argentinos do Ataque 77 e os brasileiros do Sepultura e da Krisiun. Pra nós, pouco importava se eram bandas punks ou metaleiras. Um ano depois fui para ver o Mukeka di Rato. Um pouco mais “esclarecido”, mas não menos imbecil, quebrei o braço num mosh mal sucedido, durante o show da Dead Fish, mas isso é outra estória.

Dez anos se passaram e aqui estou eu barbudo, barrigudo (apesar de magro) e morando em São Paulo. Ao longo desse tempo muita coisa mudou, agora tenho uma profissão que gosto muito, o skate ficou pra trás, um pouco da revolta também e uma pequena parcela daqueles amigos permanecem nesta condição. Outra coisa que evoluiu, digamos assim, foi meu gosto musical, menos preconceituoso agora.

Porém o apego por palhetadas rápidas e batidas violentas permanece, como pelo thashmetal da americana Exodus, o deathmetal dos mexicanos (?) do Brujeria e principalmente o grindcore nervoso da italiana Cripple Bastards. Mas onde quero chegar com essa enrolação toda? As três bandas citadas acima farão turnê pelo Brasil este mês, passando por algumas capitais, inclusive São Paulo e Recife.

Agora que moro aqui, na maior cidade da América Latina, onde tudo acontece (há controvérsias), por que eu viajaria 2600km para ver os três shows no Abril Pro Rock? Simples, vou pela dúzia de amigos que me restaram lá e que não encontrei aqui, além do caranguejo e da cerveja na praia, pra curar a ressaca no outro dia!


Esse artigo foi escrito por Pedro Galiza. Veja Quem Faz. .







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