BLOG DA RECHEIO


“E houve boatos que eu tava na pior…”

Thursday/6, October 2011


Nova classe média, classe C, classe batalhadora, seja o que quiserem classificar, esse assunto tem me chamado a atenção há anos. Foi também o tema que mais despertou meu interesse em participar da quinta edição do Pense Moda deste ano. O encontro para fashionistas, hispters, hypes, wannabes e intrometidos, como eu, está rolando desde terça (5/10) no MUBE e vai até hoje. Voltando à mesa de ontem, o time de peso discutiu sobre o seguinte tema “A Nova Força de Consumo da Classe C”. Publicitário Celso Loducca; Rony Rodrigues, sócio-fundador da Box 1824; Humberto de Biase, diretor de marketing da LG; André Torretta, da Ponte Estratégia, empresa consultora com foco na nova classe média brasileira; e Letícia Malta, sócia diretora da agência Mindset, como mediadora.

As perguntas e as respostas, que transitaram durante uma hora de conversa, foram extramamente pertinentes e, graças a isso, lá se foram 5 páginas de folha A5 do inseparável bloquinho. Não queria perder nada, nem abrir mão de espalhar tudo por aqui. Vê só:

Quem seriam as novas refererências para a Classe C?

André Torreta: Por que será que existe coolhunter em Paris, Milão, Londres, e não existe na periferia de Petrolina? Nós não queremos ser londrinos, nós queremos ser brasileiros agora. Chegou a hora da Casa Grande olhar para a Senzala! Aqui no Brasil, a gente não consegue encontrar uma referência nossa porque a gente não descobre nossa própria identidade.

A internet e a classe C…

Celso Loducca: A internet é um meio de imersão local das comunidades, diferente da forma como as classes mais altas a utilizam. Não é uma conexão com o mundo tudo, é uma forma de comunicação com pessoas próximas. Além disso, 61% das vendas de compras online são dessa nova classe média.

Humberto de Biase: Além disso, a classe C adota as marcas muito rápido. A nós não decifrarmos seus desejos ao longo dessa conquista, outra marca substitui essa adoção já que é uma relação mais descartável.

“Mal começamos a ser um país de verdade e justo. Tomara que isso não se torne mais engraçado e seja normal.”

O luxo para a classe C:

André Torretta: De acordo com pesquisas, em primeiro lugar: é morar nos Jardins; depois é usar Nike, pois todo mundo usa – ao contrário das altas classes as quais impera a exclusividade; e por último – pasme – ser bem atendido em uma loja! Na periferia o banco é vazio e é na lotéria que a fila é enorme porque esse perfil teve o detector de metal da porta do banco trancado sempre. Aeroporto é portal rodoviário, sim! E vocês vão ter de aceitar até o fim o fim da vida. (risos da plateia)

Celso Loducca (complementando): Mal começamos a ser um país de verdade e justo. Tomara que isso não se torne mais engraçado e seja normal.

Sobre moda para a classe C…

Rony Rodrigues: A maioria dos brasileiros com menos poder aquisitivo não tem conhecimento médio, nem aprofundado de moda. Numa pesquisa feita há alguns anos, para o sabonete Lux, uma porcentagem muito pequena respondeu Clodovil, outra menor respondeu Ronaldo Esper e outra menor ainda, Herchcovich! Imagine que 92% não conhecia nenhum…

André Torretta: As pessoas estão comprando muita roupa e o que elas querem agora é saber combinar e não entender de desfiles internacionais ou de tendências.

Rony Rodrigues: …É a quantidade por inclusão: 3 blusinhas valem mais que uma bem cara. Também nada impacta mais em termos de moda do que a televisão brasileira. Existe até uma etiqueta de roupa chamada “roupa de novela” no Brás!

E o consumo consciente para a nova classe média?

Celso Loducca: Não dá pra fazer quem nunca tomou iogurte parar de tomar. As pessoas têm direito de ao menos participar disso (consumo). A atitude consciente precisa começar das classes mais altas que possuem, por exemplo, 3 geladeiras em casa.

O humor…

Letícia Malta: Pessoas com menos dinheiro são muitos mais divertidas. “É muito mais legal ser mulher com menos dinheiro. A vida é mais leve. Se a gente perguntar quem é uma mulher bonita, ela vai dizer que é ela mesma.”

André Torretta: Eles eram obrigados a serem solidários por muito tempo. A vida social deles é um grande Orkut! Para trabalhar, deixavam os filhos na vizinha, etc.

Será que a nova classe média é tão nova assim?

Celso Loducca: Somos obrigados a enxergar um Brasil que já existia. Com menos poder de compra, mas sempre existiu.

Como estaremos daqui 10 anos?

André Torretta: O que demora é a educação. Serão ao menos duas gerações para um mercado mais complexo, pois para ser multifacetado, é preciso estar maduro. E não importa o que o publicitário ou o que o cliente gosta, importa o que o cliente quer.Eu olho a Veja e parece que eu estou no pior país do mundo. Aí olho a News Week e estou no melhor…Prefiro acreditar na News.

Gostou desse universo? Se quiser mergulhar mais nesse universo da nova classe, faz uma busca no Google com os termos “Classe C”, por exemplo, vai aparecer muita coisa!


Esse artigo foi escrito por Luisa Alves. Veja Quem Faz. .







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