BLOG DA RECHEIO


SXSW Recheado!

Tuesday/20, March 2012


Parte I – o Festival

Terminou domingo passado um dos eventos mais concorridos e aguardados do ano – o South by Southwest – que na verdade não é um, mas uma coletânea de eventos que rolam durante o mês de março em Austin, no Texas. Em sua 26ª edição, o SXSW apresentou ao público as mais novas tendências em música, tecnologia e interatividade, e cinema (sim, são na verdade três festivais separados) e promoveu discussões a respeito das temáticas, sempre com a intenção de propagar a inovação em cada área, dando aos participantes novas perspectivas em relação ao mercado.

E tudo isso num clima meio que de festa, diga-se de passagem. O SXSW, para nós brasileiros, pode ser comparado a um grande carnaval fora de época, só que com palestras – pelo menos durante a semana de música, que foi quando dei as caras por lá. Digo isso porque ao longo da semana, dezenas de centenas de bandas apresentam-se em casas espalhadas pelo centro da cidade, enquanto centenas de palestras acontecem no Austin Convention Center, em uma programação diária que só acaba depois das 2h da manhã (pra começar de novo às 9h do dia seguinte). Não tem como escapar – por onde quer que ande, você cruza com uma banda divulgando o seu som, um grupo discutindo o mercado. É um verdadeiro BAFO!

E óbvio que o legal de estar lá é poder participar de todos estes eventos programados, mas o lance não é SÓ esse. Quem passa por Austin durante o SXSW vai concordar que muito do fervo acontece do nada, no meio da rua, de uma hora pra outra. Uma das coisas mais legais a se fazer durante o SXSW é dar uma volta pelas ruas do centro e ver o que rola ali mesmo, outdoor. Em um lugar onde registraram mais de 2000 artistas/bandas/pessoas-relacionadas-a-musica, chama a atenção quem é mais criativo. É engraçado – e um respiro, na real – ver as soluções criadas pela galera (low budget TOTAL) para divulgar seu trabalho. Stickers colados em lugares inimagináveis, homens-placa, posters, ações, artistas fantasiados, happenings – tem de tudo um pouco. Saca só:

Parte II – Conferência

A palestra que eu mais curti – talvez porque fosse a que mais tem a ver com a minha área, que não é (mais) exclusivamente a música, foi a “Advertising IS the new radio”. Durante cerca de uma hora, um time de publicitários, programadores, gente de gravadora, todos liderados por Josh Rabinowitz, SVP/Dir de Música do Grey Group (colunista da Billboard, músico e afins), discutiu abertamente com os participantes o fato da publicidade hoje em dia ter perdido meio que aquela imagem de carrasco entre artistas, que atualmente a associação a uma marca pode ser vista como uma certa vantagem de exposição.

Muito se falou sobre o formato de vídeos publicitários que hoje são, de certa forma, mais indiretos que antigamente. Alguns comerciais podem ser considerados curta-metragens, que a mensagem, a venda do produto é passada através de imagens que agregam conteúdo (PONTO PRA RECHEIO!), e que por isso, a associação da imagem também muda. Pode-se dizer que o jingle hoje está estagnado, e que o que os publicitários procuram são músicas que agreguem valor, emoção ao conteúdo, e não só uma trilha sonora de fundo. Dá uma olhadinha nesse comercial que rodou durante o intervalo do Superbowl – o horário mais valorizado da televisão norte-americana:

Nesse aqui também:

Resumindo – se associar a uma marca de forma legal é massa! Tá na hora da galera perder esse bode de publicidade e começar a usar isso em seu favor (inclusive, a maioria dos comerciais desse naipe aqui já tem o logo do Shazam, lembrando o público que se aquela música chamou a atenção, por que não dar uma conferida em quem canta e já dar uma olhadinha no resto do trabalho daquele artista).

Parte III – A música

Dizem, por cima, que estavam incluídos na programação do SXSW mais de 90 palcos entre casas noturnas participantes, bares, e estruturas montadas pelo próprio festival… Então por essa informação, cruzando com o fato de que tudo acontece em uma semana, com programação que rola simultaneamente em vários lugares, e pela realidade de eu ser só uma – muita coisa se perdeu, ou melhor, é impossível ver tudo. Mas ficam aqui algumas dicas de algumas coisas que vi e que merecem ser vistas por aí caso você…

…Goste de indie rock

Se esse é o seu estilo, vale a pena ouvir o Caveman, uma banda do Brooklyn, com pouco mais de dois anos, que anda agitando a ceninha em NY.

…Goste de hip hop

Misture um pouco de afrobeat e voilá: Eis que surge o Baloji, um rapper do Congo, que vai tocar em São Paulo por esses dias, fim de março!

… Goste de funk/soul

Veteranasso do gênero, mas nunca é demais falar: Se você curte um funk mais old school ou um soul de respeito, não pode deixar de ver Lee Fields

… Goste de latinidades modernas

Acho que não precisa nem explicar: Bomba Estéreo

Uma das bandas mais comentadas no México, o Torreblanca

 

E foi isso. Só sei que foi assim. 😉

Por Aline Ridolfi
Jornalista colaboradora da Recheio. Atualmente vive em Nova York.


Esse artigo foi escrito por Recheio Agência de Conteúdo. Veja Quem Faz. .







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