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Zé Manoel: do “Observa e Toca” para o mundo

Wednesday/4, July 2012


O pianista e compositor Zé Manoel, que participou do projeto  Observa e Toca/ Ao Vivo em Estúdio com a Recheio, está lançando seu CD de estreia.

Zé encantou a todos com sua voz suave, sotaque gostoso e sorriso convidativo. Nascido na cidade de Petrolina (Pernambuco), o cantor e compositor iniciou sua carreira musical bem cedo. Zé conta que aos oito anos começou a tocar guitarra e logo foi aprender teclado. Não tardou muito para se encantar pelo piano clássico.

Seu som mescla o chorinho, a valsa brasileira, o jazz e o samba, e seu primeiro trabalho tem claras influências de consagrados nomes da música brasileira, como Chico Buarque e Dorival Caymmi. Letrista talentoso, suas canções partem de temas universais, como o amor e a saudade, sem, de forma alguma, banalizá-los. Ao contrário, a simplicidade literária e melódica de suas canções é que as tornam tão grandes.

Zé Manoel conta que foi através de sua participação no “Observa e Toca/ Ao Vivo em Estúdio”, em 2011, que firmou a parceria atual com a produtora francesa V.O. Music, que o levará, inclusive, para uma turnê pela Europa ainda este ano.

Abaixo você confere uma entrevista concedida por Zé Manoel à Recheio:

– Você acabou de lançar um disco de estreia, certo? Pode falar um pouco sobre como foi o processo de concepção e criação deste trabalho?

É, de certa forma, um trabalho de estreia. Ele é resultado da premiação do Festival Pre-Amp 2011, aqui no Recife. Antes dele lancei um EP com oito músicas que teve um papel muito importante no sentido de indicar a direção musical que eu viria a seguir nesse disco de estreia, de experimentar um formato, uma roupa para as minhas composições e a escolha do repertório. Neste disco regravei sete das oito músicas do EP e acrescentei mais sete novas composições. As gravações aconteceram aqui em Recife, no estúdio Carranca, no Beco Produções Musicais e no Zaga Music, Rio de Janeiro, estúdio de Leo Gandelman e Nico Rezende, onde gravei todos os pianos. Convidei Albérico Junior e Carlinhos Borges para dividir a direção musical comigo. Na hora de escolher os músicos que me acompanhariam no disco, fiz questão de convidar amigos, músicos que eu admiro, que trariam suas influências e experiências musicais pro meu trabalho. O disco tem as participações de Mavi Pugliesi, que canta comigo uma parceria nossa no vídeo do Observa e Toca, do Grupo Bongar, que também participou do programa, Isadora Melo, Carol Costa e Soraia bandeira. Eles trouxeram muita luz para esse disco. As gravações foram experiências fantásticas. Foi um período de descoberta das minhas habilidades e da falta delas, e ao mesmo tempo, de reafirmação das minhas convicções musicais. É um disco muito sincero, de acertos e de erros, mas acima de tudo de muita verdade e beleza.

– As faixas são todas autorais ou há outros compositores?

A maioria é autoral, algumas em parceria, como:
-Sol das Lavadeiras, com Mavi Pugliesi;
-Dizem (Quem não Chora não Mama), com Chico Limeira;
-Deixar Partir, com Vinícius Sarmento;
-Samba Tem, com Guilliard Pereira;

Regravei um samba em 3/4 (compasso da valsa), de Kiko Dinucci, chamada Samba Manco.

– Há alguma canção que é mais marcante para você por algum motivo especial?

“Sol das Lavadeiras” sempre me emociona muito pela simbologia dos versos de Mavi e pela música em si. Gosto muito da gravação dela no disco também, com a participação linda do Grupo Bongar e a de Mavi. Acho que é a minha preferida, seguida por “Deixar Partir”, que também é muito forte pra mim, muito confessional.

– E como foi o lançamento do disco?

Em maio fiz o show de lançamento em Recife, no Teatro de Santa Isabel, um teatro lindo, histórico. Foi uma noite fantástica, de lua cheia, teatro lotado, muita emoção, com convidados, como Mavi Pugliesi, que cantou Samba Manco e Sol das Lavadeiras comigo, Carol Costa, que cantou Acabou-se Assim, Vinícius Sarmento, violonista sensacional, parceiro em Deixar Partir, e Soraia Bandeira, que cantou Calundu.
Iremos fazer o lançamento também em São Paulo e Rio. João Pessoa e Petrolina – cidade onde nasci – são lugares que estão encaminhadas para o segundo semestre.

– E sua agenda, como está? Há shows marcados por São Paulo?

Com data marcada ainda não, mas o Auditório Ibirapuera nos convidou pra fazer uma apresentação lá desde o ano passado. Sescs também estão se encaminhando aí pra SP. Eu fiz um show no início do ano no Sesc Itaquera e no Sesc Santos, foi uma passagem bem discreta, mas foi sensacional. Também estou com uma produtora na França, a V.O. Music, que está preparando uma turnê ainda pra esse ano, na Europa, no outono. Enfim, estamos nos preparando, plantando algumas sementes e bastante animados com as portas que estão se abrindo.

– Sobre o “Observa e Toca”, qual a relevância que o projeto teve para sua carreira?

Total! Primeiro pela qualidade do material que foi produzido, tudo muito caprichado, desde a concepção e gravação de Iuri Freiberger, a realização com uma equipe fantástica, com a direção de Dani Cucchiarelli, fotografia de Gustavo Riet, até o produto final, com a junção disso tudo. Não é fácil para o artista independente, principalmente quando se está construindo uma carreira, reunir profissionais, como aconteceu nesse projeto, dentre cinegrafistas, maquiador, técnico de som, produtores, fotógrafo, diretora, editores, artistas gráficos, uma gama de gente trabalhando no mesmo projeto. Com um bom material, o artista abre portas em mercados mais exigentes. Foi através desse vídeo, logo nas primeiras semanas quando foi publicado na internet, que recebemos a proposta, eu e Sergio Pezão, produtor que atualmente trabalha comigo, de trabalhar com a produtora francesa V.O. Music, que representa artistas como Milton Nascimento, Esperanza Spalding e Richard Bona na Europa e América do norte.

– E como foi trabalhar com a Recheio?

Foi um encontro maravilhoso. Dani é uma pessoa muito talentosa, gentil e nos passou muita tranquilidade, isso se refletiu muito no clima da gravação. Senti uma empatia muito grande. Engraçado que eu já havia feito uma música para uma séria dirigida por Dani chamada Geração Saúde, gravada aqui no Nordeste, mas não nos conhecíamos. Foi por um feliz acaso que viemos trabalhar juntos e nos conhecer no “Observa e Toca”. Que bom que aconteceu assim.

Confira Zé Manoel no Observa e Toca:

http://vimeo.com/20247787

 http://www.zemanoel.com.br/


Esse artigo foi escrito por Vinícius Tamamoto. Veja Quem Faz. .







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